A greve de ônibus em Palmas foi suspensa temporariamente em 4 de novembro de 2026, após audiência de conciliação na Justiça do Trabalho. A decisão abriu uma nova etapa de negociação entre motoristas e a empresa concessionária.
A paralisação começou às 4h de 3 de novembro, após aprovação em assembleia realizada em 23 de outubro. De acordo com o Sintromet, o impasse envolve a negociação do acordo coletivo da categoria.
O movimento envolve os motoristas do transporte coletivo da capital e a Sancetur, responsável pelas linhas municipais. A Prefeitura de Palmas participou das tratativas mediadas pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10).

O sistema atende cerca de 60 mil passageiros por dia, e o início da paralisação provocou atrasos e lotação em terminais como a Estação Xerente. A Prefeitura afirmou que acompanha as negociações em busca de uma solução para o serviço.
Suspensão da greve após audiência de conciliação
A audiência mediada pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), durou seis horas e reuniu representantes dos trabalhadores, da Sancetur e do município. As partes discutiram propostas para tentar formalizar um Acordo Coletivo de Trabalho.
O entendimento prevê a suspensão do movimento até 11 de novembro, quando está marcada uma nova audiência. Até lá, sindicato e empresa devem avaliar as propostas apresentadas durante a negociação.
O presidente do sindicato, José Antônio de Carvalho, afirmou que a interrupção não representa o cancelamento da greve. Segundo ele, caso seja alcançado um acordo, uma assembleia será convocada para que os trabalhadores decidam se aprovam os termos.
Reivindicações dos motoristas e impactos da paralisação
Entre as principais reivindicações está a aplicação do piso salarial previsto na Convenção Coletiva de Trabalho de 2026. O sindicato também cobra que a empresa apresente uma contraproposta nas negociações.
De acordo com a categoria, as conversas mediadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) ocorrem desde junho, mas a Sancetur não havia apresentado uma contraproposta até o início da paralisação. A empresa é responsável pela operação das linhas municipais.
Os trabalhadores também pedem banheiros e bebedouros em pontos finais e estações, o fim de descontos que consideram indevidos nos contracheques e no vale-alimentação, além do cumprimento da jornada e dos intervalos legais de descanso.
Na manhã de 3 de novembro, os atrasos nas linhas chegaram a 40 minutos. A Estação Xerente, na região sul de Palmas, registrou superlotação durante o início do movimento.
Liminar estabeleceu frota mínima durante a greve
Antes da paralisação, o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região determinou que fossem mantidos 80% da frota e dos motoristas nos horários de pico: das 5h30 às 8h30 e das 17h às 20h. Nos demais períodos, a liminar estabeleceu a circulação de pelo menos 70%.
A decisão previa multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento. A Prefeitura de Palmas afirmou que os trabalhadores desrespeitaram a liminar, enquanto a categoria reivindicava condições de trabalho e o pagamento do piso salarial previsto para 2026.
Segundo a prefeitura, as reivindicações trabalhistas dizem respeito ao vínculo entre os motoristas e a concessionária, mas o município acionou a Justiça para preservar o deslocamento dos passageiros. A administração também informou que acompanhava as negociações para buscar uma solução para o serviço.
Na noite de 3 de novembro e na manhã de 4 de novembro, os ônibus voltaram a circular em maior quantidade, embora ainda houvesse registros de atrasos. A frota mínima determinada pela Justiça se aplicava aos períodos de pico e aos demais horários conforme os percentuais definidos na liminar.


